Rodrigo Strauss :: Blog
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Agora eu visto a camisa da empresa
Um post que gerou bastante polêmica foi o "Eu não visto a camisa da empresa". Em um emprego meu gerente contou que, quando um diretor resolveu me contratar sem consultá-lo ele imprimiu esse artigo, levou pra mesa dele e falou: "É esse cara aqui que você vai contratar?". O que eu acho ótimo. É mais fácil quando sabem das minhas opiniões antes de eu chegar. Economiza alguma discussões.
Durante muito tempo como programador peão de obra eu vi muitos gerentes cometendo erros crassos. Na realidade, como todo programador já sabe, a cada emprego que você passa você aprende sobre várias coisas que não deve fazer para ter sucesso em um projeto. Aprende-se muito mais o que não fazer. Conheci gerentes muito bons e projetos bem administrados, mas são, infelizmente, a minoria.
Depois de ver tanta besteira sendo feita comecei a me perguntar: será que é assim mesmo que as coisas funcionam e nada pode ser feito? Cheguei a cogitar que produção de software no Brasil é isso, uma grande bagunça onde a maioria dos gerentes e diretores são maus programadores que foram promovidos e não fazem a menor ideia do que estão fazendo.
Um belo dia, depois de anos recusando, resolvi aceitar um cargo de gerente de desenvolvimento, para ver se era realmente impossível fazer as coisas de uma maneira correta. Descobri: não é impossível. Não é fácil, mas tendo disciplina, método, e principalmente interesse, é possível. O que eu descobri é que as pessoas geralmente não se importam com isso. Elas se interessam pelo cargo, não pelo trabalho. Para virar programador eu li dezenas de livros. Quantos gerentes você conhece que leram ao menos um livro sobre o assunto? Além disso, os pseudo programadores recém promovidos costumam esquecer rápido que fazer a coisa certa envolve, no final das contas, dar condições para que os programadores programem, deixando-os distantes de políticas de empresa, não enchendo o saco por causa de horário e coisas estúpidas que todos sabemos que são estúpidas. Já escrevi sobre isso bastante (aqui, aqui, aqui), não vou repetir.
(Fim da sessão reclamação. Voltando ao assunto)
Depois de mais de 3 anos programando nas horas vagas, eu finalmente consegui juntar forças com um sócio não-programador e abrir um empresa de desenvolvimento de software para o mercado financeiro, a Intelitrader. Nosso foco é fazer software de alto desempenho e alta disponibilidade, basicamente o que eu tenho feito nos últimos anos. Mas dessa vez eu não preciso preciso explicar porque estou usando C++11, Python e até Assembly quando necessário. :-)
Abrir uma empresa de software é meu projeto de vida desde que tenho 15 anos (esses dias achei o adventure que eu fiz em 1995, com o "copyright" de STRAUSSoft). Aqui na Intelitrader eu tenho silêncio para programar em paz, e mesmo que eu tenha várias tarefas de dono de empresa, sou bem mais produtivo do eu era nos empregos por onde passei. E não é porque o lucro da empresa virá para o meu bolso. É porque meu foco é fazer software bom e com alta disponibilidade.
Como eu fiz quando virei gerente de desenvolvimento, vou tentar fazer aqui. Ver se, na prática, tudo que eu sempre preguei é possível. Sem horários (e com home office), sem regras de vestimenta (estou de bermuda no escritório nesse exato momento), sem frescura. Um lugar onde os escovadores de bits podem fazer o que mais gostam. E onde o importante é fazer software bom, rápido e fácil de usar. Se eu tiver disciplina e organização suficiente (tempo todo mundo tem), vou escrevendo minhas experiências aqui.
Pois é, agora eu visto a camisa da empresa. Por vários motivos. E o motivo principal é o fato de eu poder programar em paz por 4 horas seguidas quase todo dia. Isso não tem preço...
Em 16/11/2011 08:23, por Rodrigo Strauss ![]()







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DQ